‘Não tem como Bolsonaro não ser declarado genocida’, diz senadora Zenaide Maia

  Não tem como o presidente Jair Bolsonaro não ser declarado um genocida. Essa comissão do governo fará de tudo para atrapalhar, mas está perdendo todas as batalhas. As provas são robustas contra Bolsonaro”, 

  analisa a senadora Zenaide Maia (Pros-RN) em entrevista ao programa Revista Brasil TVT sobre os trabalhos da CPI da Covid. Integrante da Comissão Temporária da Covid-19 no Senado, Zenaide não faz parte da CPI, mas acompanha as sessões por meio da Bancada Feminina e observa que a retaliação ao governo federal deve ser maior.



   Para tentar atrapalhar os trabalhos da CPI no Senado, a ala governista já prepara uma “avalanche” de requerimentos de informações para as próximas semanas, questionando os repasses do governo federal a estados e municípios. Os quatro, dos 11 membros titulares da comissão, devem tentar desviar o foco do governo de Jair Bolsonaro contra os governadores. Como uma forma de pressionar os adversários políticos e, principalmente, minar o trabalho do senador Renan Calheiros (MDB-AL) à frente da relatoria da CPI.

   Apesar do empenho, a avaliação nos bastidores é que as manobras terão pouco efeito. Instalada na última terça-feira (27), em uma derrota para o governo federal, a CPI da Covid deve seguir apurando as ações e omissões da União diante da pandemia de covid-19, apesar da “tropa de choque”, formada por Marcos Rogério (DEM-RO), Jorginho Mello (PL-SC), Eduardo Girão (Podemos-CE) e Ciro Nogueira (PP-PI).

Conjunto de erros

   “Ele (Bolsonaro) deliberadamente resolveu declarar guerra à ciência e não assumiu a coordenação geral. Ao invés de comprar as vacinas antecipadamente como o mundo fez, porque se alguém sabe que a população mundial chega a quase 8 bilhões de pessoas, no mínimo essa vacina ia ser disputada. E ele não queria as vacinas. A imprensa tem um papel mais importante nessa pandemia do que Bolsonaro”, critica a senadora Zenaide Maia aos jornalistas Cosmo Silva e Maria Teresa Cruz.

   “Ele atrasou o auxílio emergencial porque ele sabia que sem o auxílio dificilmente aquelas pessoas que são ambulantes iam ficar dentro de casa. Atrasou o repasse para as micro e pequenas empresas, que são responsáveis por mais de 70% dos empregos formais do país. E, quando chegou dezembro, ao invés de repetir (os auxílios), deixou o povo com fome durante três meses”, acrescenta Zenaide. “É um presidente que não respeitou nenhuma regra e não mostrou nenhum respeito. E a CPI vai mostrar isso”.

 A senadora conclui que, apesar das disputas iniciais sobre a relatoria e os bate-bocas que marcaram a primeira semana de trabalho da comissão, o medo do governo federal e seus aliados permanece imutável.

  A partir desta terça (4), a CPI deve começar a ouvir todos os ex-ministros da Saúde. A começar por Luiz Henrique Mandetta, até o atual titular da pasta, Marcelo Queiroga. Em paralelo, de acordo com informações da Folha de S. Paulo, a equipe da comissão que auxilia Renan já elaborou uma coletânea com mais de 200 momentos em que Bolsonaro criticou o isolamento social, incentivou o uso de medicamentos sem eficácia comprovada e minimizou a pandemia, entre outros discursos negacionistas. O levantamento, segundo os congressistas, pode servir para imputar crimes ao presidente.


Fonte: Rede brasil atual / Agência Saiba Mais

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