Exportações crescem 51% de janeiro a julho e Balança comercial tem superávit de US$ 37,9 milhões no ano

     O Rio Grande do Norte registrou um superávit comercial parcial de US$ 37,9 milhões no acumulado de janeiro a julho de 2021. As exportações cresceram 51%: foram US$ 214,5 milhões neste ano ante US$ 142,1 milhões registrados no mesmo Período de 2020, a segunda melhor marca desde 2010. As importações também cresceram 76% no mesmo intervalo, com transações que somaram US$ 176,6milhões ante US$ 100,3 milhões de igual período de 2020. No mês de julho a balança também teve resultados favoráveis, registrando um superávit de US$ 13,3 milhões.

    Os dados são da Secretaria Especial de Comércio Exterior, ligada ao Ministério da Economia. O superávit ocorre quando as exportações superam as importações. Em números absolutos, no mês passado, o Estado importou US$ 17,8 milhões em materiais eletrogêneos de energia eólica, trigo, estruturas de ferro ou aço e polímeros. Já as exportações somaram cerca de US$ 31,1 milhões em óleo diesel, melões, tecidos de algodão, peixes e produtos animais impróprios para alimentação humana. Neste mês de julho, as exportações apresentaram um aumento substancial de 284,9% em comparação com o mesmo período do ano passado. Na comparação com junho deste ano o crescimento foi de 117%.

    Para o economista Janduir Nóbrega, especialista em planejamento econômico, além de reforçar a perspectiva positiva para o segundo semestre de 2021, os números revelam também o tamanho da retração causada pelo período mais crítico da pandemia de covid-19. “Da mesma forma que esses números demonstram a forte queda no processo de importação e exportação do estado, eles apontam para uma retomada do segmento de forma geral. A partir do avanço da vacinação, as pessoas estão voltando às suas rotinas, consumindo mais e com isso a produção também aumenta. Historicamente, o segundo semestre de cada ano é o período mais aquecido do processo econômico e isso também entra nessa conta, então os dados são muito interessantes”, comenta

‘Fuel oil’

    De acordo com Luiz Henrique Guedes, responsável pelo Centro Internacional de Negócios (CNI) da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (Fiern), a variação positiva foi impulsionada pelo fator “fuel oil”. “O óleo diesel predomina para explicar essa variação, embora outros produtos importantes da nossa pauta como tecidos de algodão, peixes, produtos animais impróprios para alimentação humana, entre outros, também estejam apresentando grande recuperação em relação a 2020”, destaca.

    Nos primeiros sete meses de 2021, o Rio Grande do Norte exportou US$ 75,8 milhões em óleo diesel para parceiros comerciais. Mesmo na entressafra, o melão aparece na segunda posição com US$ 33,2 milhões, ou 56,7 toneladas enviadas ao mercado internacional. Na sequência surgem tecidos de algodão (US$ 16,9 milhões) e pescados (US$ 14,1 milhões). Com 14 toneladas (US$ 5,4 milhões), o açúcar reaparece entre os principais produtos mandados para fora pelo RN após um período deserto de exportação entre janeiro e julho de 2020. Segundo análises da Fiern, os itens que apresentaram recuperação no levantamento seguirão em tendência de crescimento nos próximos meses. A safra de embarques 2021/2022 se inicia entre agosto e setembro.

    O bom desempenho também é reflexo de uma forte demanda represada no exterior, que foi agravada pela pandemia, e pela disparada do dólar, que acabou tornando as vendas potiguares mais rentáveis. Em contrapartida, o desequilíbrio cambial acaba afetado o consumo interno do estado, afirma Nóbrega. “O Brasil de forma geral, e o Rio Grande do Norte não é diferente, é conhecido no mundo como celeiro do abastecimento. Nós somos evidentemente primário, do ponto de vista de produção de grãos, frutas, combustíveis, então a gente não tem ainda a vertente industrial que os outros países têm. Houve um período em que a gente abastecia o mercado interno, mas o resultado era menor porque a moeda era mais fraca. Por outro lado, o mercado interno sofre muito porque a gente trabalha para receber em reais, quando muito daquilo que a gente consume está atrelado ao dólar”, explica o economista.


    Atualmente, o RN tem parceiros comerciais em todos os continentes do globo. Na parcial do ano, os produtos exportados tiveram como destino Singapura (22%), Holanda (20%), Estados Unidos (17%), Espanha (8%) e Reino Unido (4,9%). No quesito importação, a China é a grande responsável pela venda de insumos ao Rio Grande do Norte (37%), seguida da Argentina (27%), Estados Unidos (9,8%) e Espanha (4,7%).

“Hoje praticamente nossa produção de frutas vai para a Europa. Abrir o mercado chinês é muito importante”

bate papo

Robespierre do O’/Membro do Conselho Regional de Economia do Rio Grande Norte (Corecon)

Qual o efeito prático destes números da balança comercial no Estado?

    Essa exportação de óleo diesel mostra que nossa refinaria está em plenas condições, e se está exportando é porque tem o excedente que não está sendo consumido pelo mercado interno. Por outro lado, a composição da nossa balança comercial é feita de produtos com baixo valor agregado, tirando o óleo diesel. Ou seja, você colhe e vende. Dentro disso, a gente observa que o mercado exportador está muito bom, com boas perspectivas. O ruim é quando a gente olha para dentro do nosso estado, esses valores são distribuídos de forma muito desigual, não tem toda uma cadeia produtiva se beneficiando. Com exceção do óleo diesel, que temuma distribuição maior por causa dos empregos que são gerados para poder produzi-lo.

De que forma o sr. enxerga o posicionamento da agricultura potiguar no mercado internacional?

    Muito positivo. Na hora em que você tem as frutas conseguindo ampliar o negócio, com a abertura para o mercado chinês, as perspectivas são muito positivas. Instituições como Sebrae, Federação da Agricultura e Governo do Estado têm feito um trabalho muito bom nesse sentido. Hoje, praticamente nossa produção de frutas vai toda para a Europa, então abrir o mercado chinês é muito importante. 

Na parcial do ano, as importações cresceram 76% em comparação com o ano passado. Os principais produtos importados são ligados à produção de energia eólica. O que se tem de positivo e negativo nestes indicativos?

    Isso mostra que o investimento em energia limpa no nosso Estado tem uma grande expectativa de crescimento. O Estado que antes era um importador de energia elétrica passa a ser um grande exportador. O ruim desse processo é que a energia eólica não gera ICMS [Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços] para o estado que produz, só gera para quem consome. Além disso, a energia renovável consome uma mão de obra muito grande na implantação, mas depois de implantada a mão de obra diminui. De toda forma, teremos vantagens se conseguirmos implementar uma cadeia produtiva rentável desde a produção, instalação e manutenção desta rede aqui no estado.



TRIBUNA DO NORTE

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