Indústria cloroquímica avalia viabilidade de fábrica no RN

 O Rio Grande do Norte está na disputa para receber instalações de uma planta industrial cloroquímica da empresa Unipar, líder na produção de cloro, soda cáustica e PVC na América do Sul. A região Nordeste está nos planos de expansão da companhia, presente, atualmente, em estados do Sul e do Sudeste.

    Para a viabilização da nova fábrica, serão necessários investimentos que podem ultrapassar os R$ 500 milhões. Nessa semana, o CEO da Unipar, Mauricio Russomanno, e técnicos da empresa estiveram em Guamaré para conhecer a infraestrutura da região e a disponibilidade de insumos necessários à produção cloroquímica da empresa.

    Além do Rio Grande do Norte, a Unipar irá avaliar as condições estruturais e de matéria-prima nos estados da Bahia e de Pernambuco. A instalação da fábrica no Nordeste -  para produção de cloro e soda - se dará em apenas um desses locais. No Rio Grande do Norte, o mapeamento para futuros projetos da empresa inclui áreas no município de Guamaré e na Grande Natal. 

       A companhia busca áreas que permitam o acesso competitivo a insumos essenciais para sua operação industrial, como sal, energia e gás natural, bem como localização e infraestrutura logística desenvolvida para o escoamento da produção até os mercados consumidores.

        “Estamos no processo de estudo e avaliações técnicas e provavelmente em alguns meses – até o final do ano, esperamos – vamos tomar uma decisão, quando os modelos de viabilidade estiverem prontos. A intenção é se instalar no Nordeste”, comentou Mauricio Russomanno.  “O Rio Grande do Norte é muito rico, com energia abundante, produção de sal, gás e logística fácil para chegar aos estados vizinhos. É um lugar muito interessante, sob o ponto de vista das condições naturais e de infraestrutura. Sem falar que possui os insumos que a gente precisa”, destacou Russomanno, ao descrever as potencialidades do RN.

       “Nosso processo produtivo precisa de energia. O RN é um grande produtor de energia limpa, sendo 5,6 giga-watts de energia eólica. O Estado também produz sal, o segundo insumo mais importante para a companhia, inclusive, já somos clientes das salinas de Guamaré há um bom tempo. Também precisamos de gás natural  e de uma boa logística, com fácil acesso ao porto e às rodovias para que nossos produtos cheguem a outras partes do País”, detalhou.

    Além de Guamaré, segundo o CEO da Unipar, alguns locais estão sendo avaliados na Grande Natal, por causa da proximidade com o Porto. “Visitamos terrenos aqui na capital. Ou seja, também não há definição sobre qual cidade receberá as nossas instalações caso o Rio Grande do Norte seja escolhido para tal”, disse. Além do CEO da companhia, vieram ao RN, o diretor industrial, Rodrigo Cannaval, e o diretor de Supply e Logística Frederico Cruvinel.

A Unipar tem duas plantas industriais no Brasil (Cubatão e Santo André, em São Paulo) e uma na Argentina (Bahía Blanca) e produz 600 mil toneladas de cloro e 550 mil toneladas de soda cáustica.


Estudos de mercado

    O CEO da Unipar, Mauricio Russomanno disse que detalhes do projeto de instalação da fábrica no Nordeste ainda não estão definidos, como datas para o início das obras. Isso deverá ocorrer, segundo ele, após o estudo de mercado que está sendo realizado nos estados da região, mas a intenção é que a estrutura física seja desenvolvida em formato de construção modular. “A gente constrói por partes: uma em um determinado momento e outra, cinco anos depois, por exemplo”, explica.

    Inicialmente, a estrutura deverá ser menor do que a existente nas fábricas do Estado de São Paulo, que empregam   cerca de 1.400 funcionários. Por isso, apesar de ainda não haver perspectivas quanto à geração de postos de trabalho, segundo Russomanno, a expectativa é  que a fábrica instalada no Nordeste atinja patamar semelhante ao das fábricas de São Paulo, ao longo dos anos.

    Para secretário de Desenvolvimento Econômico do RN, Jaime Calado, a possibilidade de instalação da companhia no Estado será fundamental para a geração de novas oportunidades. “Essa é uma indústria base, capaz de gerar várias outras e que, portanto, traz um efeito multiplicativo de empregos”, pontuou. Ele destacou os programas de incentivo que favorecem a instalação da fábrica no RN, especificamente o Proedi e RN Gás Mais. “O incentivo para a indústria cloroquímica é o maior previsto na lei do Proedi, porque é estratégico para o Estado”, esclareceu o secretário.

    O secretário afirmou que as perspectivas em torno da instalação da fábrica no Rio Grande do Norte são positivas. “Nós estamos muito otimistas. Temos matéria-prima abundante, os melhores incentivos fiscais e posição geográfica adequada. Então, otimismo é nossa palavra-chave nesse processo”, disse Jaime calado.


TRIBUNA DO NORTE

Nenhum comentário: